Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Mato na cabeça!

Sempre que ouço falar de actos barbaros cometidos por políticos, da minha terra, me recordo de um ex-colega da Escola, que dizia: É FACIL TIRAR A CABEÇA DO MATO MAS É DIFICIL TIRAR O MATO DA CABEÇA DE ALGUEM...

Para o meu colega, que até concordo com ele, se podia com relativa facilidade retirar quem quer que seja da floresta mas o complicado seria urbanizar a pessoa.

Esta estoria de tirar a cabeça do mato Vs tirar o mato da cabeça, conduz-nos aos famosos processos de LEARNING AND UNLEARNING. O LEARNING esta associados a incorporação de novos valores e o UNLEARNING faz o inverso.

Normalmente levamos pouco tempo para aprender do que para desaprender. Se durante 16 anos aprendemos que todo aquele que pensa diferente, de nós, é inimigo, precisaremos de quase o dobro ou triplo desse tempo para desaprendermos de modo a ficarmos com a mente livre para metermos a nova ideia de que, pensar diferente não é sinónimo de inimizade. Quem pensa diferente é nada mais do que nosso adversário e que no debate com ele precisamos, sempre, de observar do Fair Play.

Esta viagem toda vem a proposito do atentado ao presidente do MDM em Nacala por "supostamente" homens umbilicalmente ligadas a Dhlakama e a Renamo. A ser verdade que os suspeitos sejam da Renamo então seria forçado a acreditar que este partido ainda não tirou o mato da cabeça apesar de ter saido do mato a cerca de 17 anos.

Parece que a Renamo ainda não desaprendeu que o "salário" de quem pensa diferente é a morte. A Renamo ainda não aprendeu que pensar diferente não significa estar contra quem quer que seja, significa apenas trazer um outro ingrediente ao debate de ideias.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

QUE SUSTO!

Deixe que eu vos conte uma daquelas estórias caricatas que acontecem em nossas vidas e que podem ser lições para outros.

É assim, ontem por volta das 16h, a cerca de 1 hora do fim do meu dia laboral, a minha esposa me envia uma sms com o seguinte teor: “ Dpos d job, acompanhei nha colega a clinica e chegdos aki, decidi seguir conselhos k são feits a tds doents e acompnhantes, p fzr tst d HIV. Já tirei sangue e tou xpera ds resultados"

Mensagem curta, feita a nossa maneira mas extremamente clara. A madame estava a espera de resultados do teste de HIV naquele momento!

Não vão acreditar que em menos de 5 minutos bebi 2 litros de água, baixei a temperatura do ar condicionado para o mínimo possível mas mesmo assim transpirei. Aquilo foi um susto terrível. Eu não faço teste de HIV a cerca de 4 anos e apesar de estar consciente da necessidade de periodicamente procurar conhecer o meu estado, o medo nunca me deixou arriscar.

E para a minha infelicidade o telefone da madame fica sem carga e logo incontactável. Vocês imaginam a minha reacção, evoquei a todos os Santos, a todos os meus antepassados adormecidos em Morrumbene e pensei nos melhores curandeiros que publicitam seus serviços nos jornais da praça.

Cheio de tanto medo, saí a correr do serviço, sem ao menos dizer tchau ao Júlio Mutisse com quem ia conversando no msn. Entro no carro, ponho-o a funcionar e arranco sem desengatar o travão de mão. Pouco tempo depois começo a sentir um cheiro estranho saindo do carro. Paro e procuro entender que tipo de xipoco seria aquele. Não era xipoco algum, era minha estupidez. Acelerar sem destravar cria algumas disfunções nas rodas (os mecânicos explicam melhor). Tive que, com ajuda de um automobilista que me seguia, pôr água nas rodas para arrefecê-las e depois continuar a viagem.

Tentar chegar a clínica onde a madame estava parecia, tentar percorrer 1000 km em uma hora. Finalmente chego a clínica, encontro a madame a trocar sorrisos com a colega. Ela já tinha os resultados e eram negativos. E assim terminava a minha maratona estúpida.

Moral da estoria: cada um que tire sozinha a conclusão que achar óptima mas eu acho que a problemática do SIDA é um assunto sério e muitas vezes nós que tivemos o privilegio de passar da escola e que, não raras vezes, mobilizamos os outros para o teste, quando chega a nossa vez moremos de medo. Somos hipócritas, não acham? Riam de mim, quanto quiserem, mas com calma porque amanhã é vossa vez.....

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Quem salva a indústria avícola?

As televisões moçambicanas mostraram ontem, imagens chocantes de massacres de pintos na cidade de Maputo. Os pintos mortos de uma forma brutal eram aos milhares e segundo os criadores, o holoucausto ainda está a começar e temos que esperar mais carnificina dos pobres pintos.

A justificação que nos é dada tem a ver com a inundação do mercado nacional com o frango barrato importado e isso provoca a falência dos avicultores nacionais, tudo porque eles não podem ombrear com os importadores. Diz-se que o frango importado chega a custar quase metade do preço do nacional e logicamente o consumidor moçambicano prefere o barrato embora se levante a questão da qualidade mas para muitos isso é conversa para outros planetas.

Certamente que o avicultor nacional esta e continuará num beco sem saída se aqueles que fazem Políticas Públicas não se mexer. E muito se podia fazer para salvar não só o empresário avicultor como também os milhares de postos de trabalho que estão em risco e em cascata, milhares de familias que cairão na graça da pobreza que deviamos combater com o PARPA.

Muitos governos quando se acham em situações como a que assistimos em Moçambique, lançam mão a obra e adoptam uma das tantas opções messiânicas para salvar as honras do covento. Governos, donde quando a chuva cai fica humidade no solo, perante uma crise dessas, oferecem beneficios fiscais aos empresários em risco ou subsidiam o empresario no que diz respeito aos custos operacionais e ainda adoptam medidas proteccionistas do mercado nacional. Tudo é feito para evitar que a crise se agudize. Muito é feito nesses países do Marte e nós o que faremos?

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Discurso elegante!

TENHO ANDADO MUITO OCUPADO E NAO TENHO ACTUALIZADO COM REGULARIDADE ESTE BLOG. E ENQUANTO NAO VOLTO EM PLENO AO VOSSO CONVIVIO, DECIDI PARTILHAR COM TODOS ESTE HONESTO DISCURSO.

Durante o copo de agua, o noivo é dado a palavra para dirigir-se aos convidados e eis o que lhe ocorre dizer:

1. Antes de mais eu gostaria de agradecer ao senhor por ter criado a minha esposa e agradecer tambem ao pastor e a sua esposa por nosterem emprestado os aneis do casamento.

2. Um especial agradecimento tambem vai ao dono da casa por nos ter emprestado o seu carro.

3. Estou tambem bastante agradecido ao meu chefe por ter aceite o emprestimo que usei para comprar o meu fato.

4. Um grande agradecimento ao grupo de amigos pela campanha de angariação de fundos em meu nome.

5. A minha cunhada (esposa do meu irmão) muito obrigado por ter cedido o vestido de casamento a minha esposa, e agradeço tambem a minha irmã por ter cedido os seus sapatos a minha esposa.

6. Estou muito agradecido a pessoa que fez o bolo. Conforme o prometido devolve-lo-ei amanhã de manhã assim como o levei.

7. Um agradecimento especial a todos os amigos que trouxeram as suas comidas de casa para eu poder alimentar a todos. Aos que puderam servir-se da comida boa sorte a todos e aos que não puderam espero que venham a faze-lo na festa do primeiro aniversario do nosso filho (felizmente é ja para o ano).

8. Um agradecimento especial aos meus pais por terem trazido a banda cultural da vila para abrilhantar o ambiente e nos entreter a todos nós hoje aqui.

9. Sem me esquecer do Comite do Casamento da Igreja, muito obrigado por terem persuadido a minha esposa para se casar comigo.

10. Agradeço também aos homens casados desta igreja por me terem
apressado ao casamento.

11. As mulheres não ficam de fora, o meu muito obrigado por terem ensinado a minha esposa a cozinhar e a dançar.

12. Aos jovens, o meu muito obrigado pela limpeza do local bem como
pela lindissima decoração do mesmo.

13. Aos jovens amigos, muito obrigado por terem me ajudado com a 2M e
a Laurentina.

14. Aos co-inquilinos, obrigado pelo dinheiro que contribuiram para pagar o cameraman.

15. Para terminar, desejo a todos bom regresso a casa e rezo para que ninguem experimente o sofrimento pelo que passei por este casamento

Muito Obrigado

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Papa e o preservativo

Tenho estado a acompanhar a polémica resultante das declarações do Papa Bento XVI feitas em Youndé capital dos Camarões na última terça-feira. A posição do Sumo pontífice relativamente ao mecanismos de prevenção do HIV já eram conhecidas talvez o que veio criar esta confusão toda é o local e o momento em que o Santo Padre foi reafirmar a sua oposição ao uso do preservativo.

É que para o Papa, a Igreja Católica e outras seitas cristãs, o coito é algo sagrado e que deve ser feito após um profundo exercício de preparação e reflexão. O coito não deve ser visto como um hobby em que as pessoas dele se valem para saciar seus caprichos imediatos e de uma forma livre e descomprometida. Vistas as coisas nesta perspectiva o Papa tem razões mais que suficientes para se opor ao uso do preservativo.

O que acontece é que na vida temos o ideal e o real. A Igreja é por natureza idealista e dificilmente adopta posições realistas em matérias sensiveis. O ideal era todos abstermo-nos do coito descomprometido e metermos a ele apenas depois do sacramento do matrimónio mas infelizmente a realidade já mostrou que isso é impossível na maioria dos seres humanos actuais. Aliás, Jesus já tinha reconhecido a debilidade humana a cerca de 2000 anos atrás, quando aceitou o casamento como alternativa às dificuldades humanas de observar o celibato. Aqui Jesus não fez mais nada do que ser realista, reconhecer que o ideal nem sempre é possível. Jesus mostrou que o Cristão podia ser realista desde que sob certas condições, como a monogamia.

A partir desta experiência de cedência por parte de Jesus eu acho que todos os seus seguidores deviam em algum momento serem tolerantes à realidade e não opor-se radicalmente a uma das formas comprovadamente válida na prevenção do HIV e Sida.
Não acham?

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Você é elegante?

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...
Sobrenome, carrão, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... dar o lugar para alguém sentar... Oferecer ajuda... ...Olhar nos olhos, ao conversar... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem enorme para a alma ...
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licença para o nosso lado "brucutu", que acha que "com amigo não tem que ter essas coisas frescuras"! Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura

RECEBIDO DA ADERITA, VIA EMAIL.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Transformação de conflitos (2)

PARTES DE UM CONFLITO

Conflitos são uma realidade social e um dos principais pressupostos para o seu surgimento é a existência de pessoas. Pessoas estas que terão de divergir por causa de um determinado assunto, não bastando porém a consciência entre as partes da existência de divergências enquanto não adoptarem um comportamento que revele as suas diferenças e sauporte as suas posições.

Um conflito, em regra, envolve no mínimo duas pessoas, podendo envolver mais, como grupos, famílias, comunidades, partidos, países e por ai fora. O importante na análise de um conflito, sobretudo no que às partes diz respeito, é saber que os actores podem ser de dois tipos. Existem num conflito aquelas pessoas cujo os objectivos e ou interesses divergem ou sobrepõem-se e que adoptam em sua defesa um comportamento que deixa claro que elas estão envolvidas numa contenda. Essas são as partes primárias de um conflito, seria o caso do Governo de Moçambique dum lado e a Renamo doutro lado. Assim, no conflito moçambicano de 16 anos, o Governo e Renamo eram as partes primárias.

Existem no entanto, aqueles que entram no conflito em solidariedade com as partes primárias, casos da Africa do Sul que veio em apoio à Renamo e o Zimbabwe que entrou no conflito em apoio ao Governo moçambicano.

Esta descrição pode parecer desnecessária mas é extremamente importante tanto para aqueles que estão a conflituar, assim como para quem deseja se envolver nele como mediador, facilitador ou com um outro papel. O que acontece é que por causa da má identificação das partes primária e secundárias de um conflito ou por mera vontade de ignorar a verdadeira parte primária comentem-se erros graves na tentativa de resolver um conflito. Um exemplo típico é o acordo de Inkomati rubricado em 1984 entre os governos Sul-africano e Moçambicano ou seja por uma parte secundária e uma primária da contenda. O objectivo daquele acordo era acabar com a guerra em Moçambique mas não produziu os resultados desejados em virtude de o presidente Machel o ter assinado com quem não estava a conflituar directamente e que não tinha o real conhecimento das causas, para além da falta de poder decisório sobre os operacionais no terreno.

Na verdqade, as partes primárias de um conflito é que conhecem as razões que as levam a se “bater” por isso só elas é que podem efectivamente conversar e acabar com as suas diferenças. As partes secundárias embora tenham alguma informação não dispõem de um conhecimento profundo do problema, elas apenas estão para prestar apoio e ou assistência a uma das partes principais com quem se identificam.....